quinta-feira, 9 de junho de 2011

TÉCNICA CONSTRUTIVAS NA CERÂMICA PARTINDO DE MOLDES RECICLÁVEIS



MOMENTO DE CURTIR NOSSAS CRIAÇÕES. COM SEIS ENCONTROS DE TRÊS HORAS O REPERTÓRIO FOI MUITO RICO. GRAÇAS AO GRUPO MUITO CRIATIVO E INTERESSADO.








































































TÉCNICA DE MODELAGEM NA CERÂMICA PARTINDO DA RECICLAGEM DE MATERIAIS DESCARTÁVEIS


OFICINA DESENVOLVIDA NO SESC IPIRANGA

A criação de peças cerâmicas, através de suportes leves, que não fazem volumes e podem ser transportados para qualquer lugar foi a proposta da oficina que abrangeu direto ou indiretamente outros temas.

A consciência ecológica baseada no princípio dos três R’s:
RRR – Reduzir, Reutilizar e Reciclar foi um deles uma vez que está intrisicamente ligado a está técnica construtiva. Os moldes são materiais reaproveitáveis de descartes de embalagens utilizadas no dia a dia das residências como produtos de limpeza e de alimentação ou de obras da construção civil, exemplo, tubos de água e esgoto em PVC.

O custo é mínimo e não dá trabalho para construir em relação aos moldes de gesso, que geram sujeira e precisamos utilizar força no seu manuseio.

“É só treinar o olhar que encontramos quase tudo nos descartes que geramos a cada segundo.”


Com tecido de malha de algodão colado ao molde a modelagem é iniciada. A peça além de ficar pronta após a união das duas formas, dependendo do tamanho e do projeto criativo pode ser manipulada de imediato e receber acabamento. Este processo se dá pela força gravitacional e mobilidade do tecido que faz com que a peça se desprenda.

Um molde grande tem suas limitações se a união for feita logo após a placa de argila ser apoiada. O tamanho máximo é de aproximadamente 25cm de diâmetro com um apoio adequado à proporção da mão para prensar as duas partes. Para manipular a peça deixe secar um pouco, antes de iniciar interferências.
Após este tamanho o ideal é deixar as partes em ponto de couro e só então fazer a união.

A oficina desenvolveu técnicas construtivas já conhecidas no meio cerâmica, porém através de um novo suporte.

Além de aprender como montar os moldes, desenvolveu-se peças na vertical para trabalhar a centralização do eixo da peça, vazadas através do ar retido dentro dela, secsionadas a forma original para criar uma peça a partir da junção das partes incentivando a criação de um protótipo de escultura ou como projeto final de uma pequena escultura.

A partir de sobras de argilas de cores diferentes incrustadas no corpo da peça, finalizou-se com muita criatividade a oficina.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

MASSA AUTO-SECANTE

MASSA AUTO-SECANTE (ARGILA+AREIA+CIMENTO)

Oi pessoal, além de criar minhas peças e queimá-las nas técnicas raku e saggar firing, gosto também de trabalhar com a massa auto-secante.

É uma massa de argila, areia e cimento que nos da a liberdade de criar esculturas de todos os portes. Seca ao tempo e fica resistente sem ir ao forno.
Expostas ao tempo com verniz, impermeabilizante ou sem nenhuma proteção cada uma adquire um registro único com a ação do tempo.

Após 6 anos, tenho o prazer de avaliar os efeitos das peças que ficaram expostas ao tempo e as que ficaram resguardadas no ateliê.

O grande desafio é vencer a ansiedade para observar a passagem do tempo, sua ação é lenta e interminável. Vale a pena esperar e observar dia após dia. A expressão “dai tempo ao tempo” se justifica. É aí que reside o fascínio da arte.

Vejam as obras do meu amigo Rene. Aos quase 91 anos é de uma vitalidade e criação incansável. Não dá para ficar indiferente diante desta fonte de inspiração!!!!

O busto “A Guerreira”, o São Francisco, o gato de olho no peixe e as placas são de minha autoria.

Fotos de amigos que participaram das oficinas que ministro no meu ateliê.

sábado, 29 de janeiro de 2011

PROCESSO DE REDUÇÃO NA TÉCNICA RAKU

PROCESSO DE REDUÇÃO NA TÉCNICA RAKU
PARA OBTER O EFEITO DO METALIZADO

O forno alimentado a gas tem uma atmosfera diferente do forno elétrico, ou seja, a atmosfera reinante está impregnada de gás butano, fogo, oxigênio, a química dos esmaltes volatilizando, aberturas de escape para a troca entre esses elementos, uma verdadeira orgia.

Apesar de toda essa festa, o forno está trabalhando com uma atmosfera com muito oxigênio, não tão pura, porém necessária para que esmaltes e óxidos cheguem ao seu ponto de fusão, fixando-se no corpo das peças.

Nesta etapa é que entra a redução NO FORNO. A roldana de ferro do maçarico que trabalha aberta alimentando o fogo com oxigênio é fechada, a chama fica vermelha. A chaminé também é fechada, deixando-se apenas uma fresta para a saída do fogo e da fumaça.

Uma vez que não há oxigênio dentro do forno o fogo vai alimentar-se do oxigênio que contém nos esmaltes e nos óxidos das peças cerâmicas.

Exemplo: A fórmula do óxido de cobre é Cu2O e a do cabornato de cobre CuCO3.
O fogo alimenta-se deste oxigênio, deixando na peça apenas uma fina camada do metal.

E assim, acontece nos esmaltes que contém óxidos, criando reflexos multicoloridos.

Os esmaltes que não contém óxidos, não deixam de ter partículas de oxigênio porém a mudança é muito sútil. Os transparentes e brancos ficam levemente acinzentados.

Está redução, retirada do oxigênio na câmara do forno, é que eternizará os efeitos obtidos na peça.




A peça é transferida para um recipiente com serragem que entra em combustão. Labaredas de fogo imprimem marcas e flashes e, a redução ao abafar o recipiente libera fumaça no seu interior que enegrece e realça os efeitos finais das peças. A riqueza de detalhes é como uma digital, não há duas iguais.

Não jogue água fria na peça quente. Não faz sentido uma vez que todo o processo de interferências para obter os efeitos metálicos inicia-se no forno e encerra-se no recipiente.

Este método, ainda muito usado, não tem nenhum fundamento técnico ou estético. É mera fantasia, cena teatral. A queima nos oferece tanto diversidade, movimentação, emoção, que ir além é um risco. Tanto tempo dedicado na elaboração da peça perde-lá num método sem sentido é decepcionante.

Mantenha as peças no recipiente até ter certeza de que não há mais fumaça. Calma e paciência para esperar é uma virtude. Não é necessário pressa, tudo já aconteceu entre o esmaltar, os procedimentos na queima e a transferência para o recipiente com serragem.
Quando as peças estiverem frias faça a limpeza da fuligem com água e esponja com detergente.



Na arte do fogo o importante é dar o melhor de nós. O que recebemos em troca nem sempre é o ideal mas sim, o real. Há tanta beleza e, no entanto não enxergar-mos porque estamos cegos em busca do ideal. Pense e reflita se não é uma descoberta a mais para agregar ao nosso conhecimento e, só então volte no caminho e tente alcançar o desejado. A arte tem esse encanto enigmático, nos instiga a persistência e a buscas incessantes sem nunca nos cansar. É o sabor da vida!

Lu Leão

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

VISÃO SOBRE O RAKU ATRAVÉS DO MEU PONTO VISTA

O que é o Raku através do meu conhecimento.

Cerâmica RAKU no Japão

O Raku é uma técnica de queima da cerâmica que tem suas origens no século XVI no Japão.

As circunstâncias exatas de sua descoberta contêm muitas contradições. A origem e sua história permeiam as mentes humanas com muitas versões, às vezes imprecisas.

Das histórias contadas, sobre meu ponto de vista, acho que a mais sensata é que foi o acaso que levou a sua descoberta, ou seja, as peças foram retiradas do forno ainda incandescentes e devido ao choque térmico com a temperatura ambiente, o esmalte que as recobriam sofreu várias fissuras. Eram taças pequenas, tcha-wan, utilizadas na cerimônia do chá. O chá verde é rico em tanino, substância que gradativamente vai fixando-se nos poros abertos da cerâmica, tingindo-as de preto e criando padrões irregulares de acordo com as fissuras.

O porque dessas peças terem sido eleitas no passado para uso na cerimônia do chá, ritual com uma filosofia zen até os dias atuais, é um mistério. O nome Raku segundo algumas fontes provém da dinastia onde aconteceu o processo.

Passagem e processo do RAKU no OCIDENTE

Em 1911, o ceramista inglês Bernard Leach estabelece contato com ceramistas japoneses e "traz" o conceito técnico do Raku para o Ocidente. As peças desenvolvidas ainda aparecem ligadas às formas tradicionais, sem nenhuma inovação e praticamente é disseminado, uma vez que pertencia a uma herança cultural que não fazia parte da nossa, ou seja, “um estranho no ninho”..

Porém, por volta dos anos 60, Paul Soldner (americano) toma contato com o “Manual do Ceramista” de Bernard Leach e faz várias pesquisas e experimentos, como a utilização de óxidos metálicos e o uso de uma câmara de redução após a queima. O Raku, então, dissocia-se das formas e funções originais e desenvolve-se sobretudo como um processo técnico, associando-se plenamente às correntes contemporâneas da cerâmica.

Hoje em dia essa técnica de redução, que permite interferências e inovações com critérios sérios, serve de meio a muitos artistas para finalizar sua obra e expressar sua arte.

A sua estética é espontânea e cada peça cerâmica tem uma linguagem única devido às variáveis que envolvem o processo da queima, criando uma infinidade de efeitos que agrada a tantos artistas e colecionadores.
lu Leão

QUEIMA DE RAKU

Evento realizado no SENAI - MARIO AMATO de São Bernardo do Campo em 23 de Setembro de 2010.
No período da manhã aconteceu uma palestra sobre o tema "O que é a redução durante o processo de queima, para obter metalizados"

HISTÓRIA DAS SAGGARS

MINHA VISÃO SOBRE O CAMINHO DAS SAGGARS NO TÚNEL DO TEMPO


O que me fascina no ser humano é o seu poder de transformação em todos os sentidos da vida. Na arte é o potencial criativo em observar um processo, avaliar e ver beleza no caminho inverso deste processo. Fascinante! É algo que está no nosso subconsciente. Quem de nós não vivenciou o poder mágico de observar o reflexo das imagens na água de rio, ou imagens das sombras criadas sobre todas as formas. As distorções são ricas de conteúdo para nossa imaginação e processo criativo.
Transportando este comportamento para as saggars, é maravilhoso entender seu percurso ao longo dos anos.
No início, quando as cerâmicas entraram em produção em larga escala, os fornos eram aquecidos por fornalhas de carvão ou lenha. Para proteger as peças de faíscas, cinzas, gases corrosivos e manter um mesmo padrão em série, foram criadas caixas de proteção envolvendo, para salvaguardar a cerâmica. Quando os fornos passaram a queimar a gás ou eletricidade, as saggars tornaram-se desnecessárias.
Aí é que entra este potencial criativo a que me refiro. As saggars passaram a ter uma função inversa para os ceramistas que partilham da filosofia: “as mãos não são automáticas e a mente não é movida à pilha”.
A peça cerâmica passou a ser colocada dentro das caixas e preenchidas de material orgânico para obter uma atmosfera redutora, com direito a fuligem e todas as impurezas possíveis para criar impressões aleatórias transformando-se em nova linguagem de beleza na peça. É o conceito: enxergar a beleza das coisas imperfeitas, ou seja, o reflexo da paisagem na água do rio. É a alma humana refletida na arte.
Seguindo esta filosofia as opções destes registros tornaram-se infinitas de possibilidades.
Seja em relação à contenção das peças nas caixas rígidas que limitam o encaixe e ocupam muito espaço, assim como nos materiais inseridos para criar uma atmosfera redutora e por conta do tipo de material que às vezes necessita de maior temperatura para criar efeitos, queimas de diversas temperaturas. Eu aprecio e pratico a queima a 650°C. As saggars de folha de alumínio são minhas prediletas. Posso utilizá-las sozinha, ou seja, somente com os materiais orgânicos ou acrescentando barbotina ou então,* placa de argila.
A vantagem das queimas em muflas individuais e maleáveis, envolvendo o objeto cerâmico como se fosse uma roupa do tamanho adequado ao objeto, é que se torna econômico, pois os sulfatos e materiais orgânicos são colocados na proporção ideal para produzir os efeitos, sem desperdícios, fixam direto no objeto dando mais ou menos controle do que desejamos atingir na decoração, elas podem ser empilhadas uma sobre as outras dentro do forno, otimizando o espaço, e cada objeto é personalizado, pois os vapores de gases que volatilizam dos produtos durante a queima trabalham apenas dentro da mufla e os produtos colados no corpo da peça criam uma tonalidade intensa.

*Aguardem o próximo assunto:
As placas de argila que desprendem das peças: sua vida na Arte!!!!!!!!

SAGGAR FIRING PARTE II

HISTÓRIA DAS SAGGARS